Saúde transfere servidores para o Samu e diz que pagará diretamente terceirizados em greve no RS

Funcionários de empresa estão parados desde a noite de segunda-feira (13) por falta de pagamento de salários. Secretário adjunto adianta que contrato deve ser rescindido. Terceirizada diz estar em recuperação judicial.

O secretário adjunto da Saúde do Rio Grande do Sul, Francisco Bernd, disse nesta terça-feira (14) que vai pagar o salário de julho diretamente aos funcionários terceirizados da empresa responsável pelos atendimentos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Eles entraram em greve na noite de segunda-feira (13) por falta de pagamento.

Na tarde desta terça, a Procuradoria-Geral do Estado autorizou a secretaria a fazer o pagamento. “Temos um decreto que permite o pagamento direto aos funcionários terceirizados. Nós chamamos eles para uma reunião, hoje, aqui no RH da secretaria e, assim que o pagamento entrar na conta bancária deles, isso deve acontecer até amanhã [quarta-feira], essas pessoas devem voltar ao trabalho”, diz Bernd.

Ele acrescentou que a empresa já foi autuada e que o contrato deve ser rescindido. Atualmente, a terceirizada tem três contratos com o governo do estado. A FA Recursos Humanos se manifestou por meio nota enviada por e-mail, dizendo que “os pagamentos de todos os seus funcionários restou comprometido em virtude de bloqueios judiciais.” Leia a íntegra abaixo.

No serviço de atendimento do Samu, são 18 funcionários, entre telefonistas e rádio-operadores, contratados no atendimento do 192. No horário em que a paralisação começou, a central costuma receber cerca de 60 ligações por hora, conforme dados do serviço.

São afetadas com a paralisação 493 cidades que dependem da central telefônica estadual. Bagé, Pelotas, Caxias do Sul e Porto Alegre contam com Samu municipal e não são prejudicadas.

Outra medida adotada pela Secretaria Estadual de Saúde, ainda na manhã desta terça, foi treinar servidores de outras áreas de forma emergencial para manter o atendimento.

O tempo médio de atendimento com a paralisação está em 18 minutos. De acordo com o secretário, o normal seriam 12 minutos.

Ainda conforme o secretário adjunto, o estado mantém o pagamento da empresa contratada em dia, mas a terceirizada não consegue honrar com os compromissos.

“O último pagamento do contrato, de julho para agosto, não está em dia por que eles [a empresa terceirizada] não apresentaram as certidões e os comprovantes de pagamento dos salários dos funcionários do mês de maio”, diz.

“A empresa está com dois bloqueios judiciais de até R$ 1 milhão. Então, todos os depósitos, os créditos em favor dessa empresa, ficam retidos e ela não consegue pagar seus empregados, por razões judiciais. Ela tem ações trabalhistas na Justiça”, completa.

Outros problemas

A FA Recursos Humanos também presta serviços terceirizados ao Grupo Hospitalar Conceição na área de higienização. Funcionários do grupo relataram ao G1 e à RBS TV que diversas unidades estão sem limpeza.

A assessoria do GHC disse, por nota, que a FARH “apresenta falhas na prestação de serviço desde Junho do corrente ano, sendo que a situação se agravou devido a falta de pessoal por atraso e falta de pagamento de salários e demais benefícios aos seus empregados, mesmo o GHC estando em dia com seus compromissos para com a empresa.”

A assessoria do GHC acrescenta que, desde o início de agosto, não localizou representantes da empresa, e que “está trabalhando na apuração das responsabilidades e no processo de contingência, a fim de não comprometer o atendimento assistêncial prestado pela instituição”, encerra.

O contrato do GHC com a FARH vai até 30 de novembro.

Nota da FA Recursos Humanos

Em esclarecimento às notícias veiculadas nesta data, a empresa FA Recursos Humanos Ltda. informa que os pagamentos de todos os seus funcionários restou comprometido em virtude de bloqueios judiciais, determinados em caráter liminar (antes do trânsito em julgado), especialmente o arresto deferido pelo Meritíssimo Juízo da 5ª Vara do Trabalho de Caxias do Sul, nos autos do processo nº 0020646-17.2018.5.04.0405, no valor de R$ 1.042.000,00 (Um milhão e quarenta e dois mil reais), onde a empresa buscou, e continua tentando reverter tais constrições, uma vez que a manutenção destes sequestros inviabilizará a continuidade do empreendimento.

Fonte: G1

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