Morre Antônio Carlos Verardi, funcionário mais antigo do Grêmio

Informação foi confirmada pelo clube nesta quarta-feira (24). Ele era superintendente de Futebol e atuou no Tricolor por 54 anos.

O Grêmio e sua torcida perderam uma de suas figuras mais queridas. Morreu na madrugada desta quarta-feira, aos 84 anos, o superintendente de futebol Antônio Carlos Verardi. Ele era o funcionário mais antigo do clube, com 54 anos de dedicação.

Em nota de pesar, o clube informou que o velório será realizado a partir das 14h no portão A da Arena do Grêmio. Uma cerimônia de cremação também está marcada para as 20h.

“Seu Verardi”, como era conhecido, lutava contra um câncer. Por causa da doença, ele não participou da cerimônia de inauguração da estátua de Renato Gaúcho. O ex-jogador e hoje técnico do time tinha uma relação muito próximo com o superintendente, a ponto de chamá-lo de “pai”.

Uma história de amor ao Grêmio

Em junho de 2018, o superintendente lançou uma autobiografia, intitulada “Seu Verardi e o Grêmio – Uma História de Amor”. Na obra, ele conta suas lembranças de uma vida dedicada ao clube. Foi um dos poucos a viver todas as maiores conquistas do Grêmio, como o título Mundial em 1983, o tri da Libertadores, o bi do Brasileirão e o penta da Copa do Brasil.

– Que fique bem claro. É uma história de amor do Verardi para o Grêmio. Não é a recíproca. Muitas coisas, a memória falha. Eu não consultei nada. Só minha memória. O que eu queria era contar a história do crescimento de uma instituição do tamanho do Grêmio. Eu acompanhei os últimos 52 anos desse crescimento. Houve nisso tudo o meu crescimento, graças à bondade dos dirigentes que sempre me prestigiaram. Estou registrando aqueles jogadores, dirigentes, que eles escrevem a história do Grêmio. Ao citar um, cito todos. Se conto a história de um, homenageio todos – disse na ocasião.

Verardi em 1983, no ano do primeiro título da Libertadores e do Mundial — Foto: Mauro Vieira/Agência RBS

Verardi em 1983, no ano do primeiro título da Libertadores e do Mundial — Foto: Mauro Vieira/Agência RBS

Natural de Passo Fundo, no Norte gaúcho, seu Verardi descobriu a paixão pelo Grêmio ainda jovem, logo após se mudar a um internato de Porto Alegre, em 1949. E graças a Valdemar, seu irmão mais velho, que atuava como centro-médio no Tricolor. O jovem Antônio Carlos até vestiu a camisa como juvenil do clube. Mas estava destinado, mesmo, a trabalhar nos bastidores gremistas.

Em 1965, o patrono Fernando Kroeff o contratou para trabalhar em sua indústria de celulose. À época presidente do Grêmio, logo delegou ao funcionário um “bico” para resolver um problema estrutural no clube. Um mês mais tarde, sequer recordava que Verardi era parte de sua empresa. Foi o sinal para efetivá-lo como gerente geral e dar início à trajetória encerrada nesta quarta.

Embora tenha se aposentado em 2005, Verardi continuou se dedicando ao Grêmio como superintendente de Futebol, responsável pela logística do grupo profissional. Nas redes sociais, funcionários do Grêmio, jogadores e torcedores lamentaram a perda.

Ainda segundo a nota divulgada pelo Grêmio, enquanto a saúde permitia, ele chegava cedo para trabalhar no CT Luiz Carvalho e era um dos últimos a sair. Mesmo nos dias de folga ou finais de semana, ele era encontrado nas dependências do clube.

Leia a íntegra da nota de pesar do Grêmio

“É com imenso pesar que o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense comunica o falecimento do Sr. Antônio Carlos Verardi, aos 84 anos, ocorrido na madrugada desta quarta-feira, dia 24.

“Seu” Verardi, como era carinhosamente conhecido, era superintendente de Futebol do Tricolor e o mais antigo colaborador registrado no quadro funcional da instituição, com 54 anos de dedicação. Adorado por atletas, dirigentes e colegas de trabalho por sua competência, fidalguia e discrição, “Seu” Verardi criou com o Grêmio uma identificação única, que se mistura com a própria história do Clube.

Renato e Seu Verardi no Grêmio — Foto: Fernando Gomes/Agência RBSRenato e Seu Verardi no Grêmio — Foto: Fernando Gomes/Agência RBS

Renato e Seu Verardi no Grêmio — Foto: Fernando Gomes/Agência RBS

Desembarcou no Estádio Olímpico em 1965, aos 31 anos, para assumir a Comissão de Obras trazido pelas mãos do Patrono Fernando Kroeff. Antes disso, já havia atuando pelas categorias de base, mas não vingou como atleta. Um mês depois, a pedido do presidente Mário Antunes da Cunha, aceitou o cargo de Gerente Geral, função que exerceu até 1974. Com nove anos de experiência no cargo, recebeu o desafio de assumir a função de diretor de futebol, quando começou a ter mais contato com o vestiário. De diretor á supervisor, não demorou muito. Com um trabalho sério, sempre voltado para o bem da instituição e dos atletas, “Seu” Verardi passou a ser reconhecido nacionalmente e virou referência na função para outros clubes brasileiros. Em 2005, Verardi se aposentou, mas seguiu se dedicando ao Clube como superintendente de futebol, responsável pela logística do grupo profissional. Foi assim até o final. Enquanto a saúde permitia, chegava cedo para trabalhar no CT Luiz Carvalho sendo um dos últimos a sair. Até mesmo nos dias de folga ou finais de semana, “Seu” Verardi era encontrado nas dependências do Grêmio, hábito que, certamente, continuará mantendo pela eternidade.

Nos últimos meses, depois de ter sido convidado para acompanhar a delegação no Mundial dos Emirados Árabes, Antônio Carlos Verardi se dedicou a divulgação da obra “Seu Verardi e Grêmio – Uma História de Amor”, livro de memórias lançado no início de junho deste ano, um documento de valor inestimável que conta um pouco a história do Tricolor.

O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense se solidariza com toda a família Verardi, amigos e torcida, e comunica que em breve serão divulgadas mais informações sobre os atos fúnebres.

fonte: globoesporte

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