Idosa de Alvorada espera há oito anos por cirurgia ortopédica

Vera Lúcia da Silva Carvalho, 65 anos, convive com dores na perma esquerda. A esperança para ela está na colocação de uma prótese no Hospital de Clínicas (HCPA)

Há quase duas décadas, a aposentada Vera Lúcia da Silva Carvalho, 65 anos, moradora do bairro Maria Regina, em Alvorada, é obrigada a conviver com dores na perna esquerda devido a uma doença no joelho. Com a piora da enfermidade, há oito anos, ela precisa de cirurgia que trate a área afetada. Em uma jornada em busca pelo tratamento, Vera Lúcia viu sua vida se resumir à doença.

— Eu não saio mais de casa. Não vou na casa de alguém. Se preciso consultar, tenho dificuldade de subir no ônibus. Uso uma bengala, pois não consigo caminhar direito — conta a aposentada, que diz sofrer fortes dores, impedindo-a de ter uma vida normal.

Ela tem osteocondromatose, doença caracterizada pelo surgimento de caroços ósseos no joelho e, em outros casos, no tornozelo. O Diário contou a história de Vera Lúcia no dia 11 de janeiro de 2017. Na época, ela aguardava uma consulta com ortopedista pelo SUS para, então, obter encaminhamento para a operação.

Um mês após, na edição do dia 3 de fevereiro, o DG voltou a abordar a jornada de Vera Lúcia, quando ela conseguiu a consulta especializada na Unidade Básica de Saúde Cedro, em Alvorada. O fato reacendia a esperança da idosa por uma solução.

No entanto, pouco mudou após a consulta. Na verdade, a situação piorou, pois o joelho de Vera foi curvando- se cada vez mais, causando-lhe dores mais fortes — amenizadas somente com medicação.

Hospitais 

Vera relata que passou por várias consultas, exames e por dois hospitais após ter consultado na UBS Cedro. Em 2017, ela foi atendida na ortopedia do Hospital Independência. Lá, a idosa recebeu indicação para ser submetida a uma artoplastia de revisão, na qual seria necessário fazer um transplante de osso — não disponível naquele hospital.

Em 2018, ela foi encaminhada ao Hospital de Clínicas (HCPA) — referência no tratamento ortopédico no Estado. As coisas pareciam avançar. Entretanto, companheira da dor, a espera voltaria a fazer parte da rotina da aposentada.

Ela obteve um encaminhamento para uma cirurgia no joelho para reconstruir a área afetada pela doença. Em setembro do ano passado, fez exames para acompanhar a situação. Desde então, está à espera.

— Só o Clínicas pode fazer. No hospital, dizem que tenho que aguardar, que tem muita gente na fila. Eu já perdi a esperança. Daqui a pouco, nem adianta mais — desabafa Vera.

Sem previsão de chamamento 

Procurado pela reportagem, o HCPA informou que Vera teve sua primeira consulta na instituição em setembro de 2018 e, mais recentemente, em novembro de 2018. A nota ainda comunica que ela está inscrita na fila de prótese na 108 ª posição, de um total de 136 casos.

No entanto, o hospital afirma que não há como precisar o tempo de espera e também não respondeu o porquê de a situação de Vera Lúcia não ser considerada uma prioridade.

fonte Diário Gaúcho

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