“Foram mais de 50 tiros”, conta moradora sobre chacina com quatro mortos em Alvorada

Criminosos invadiram duas casas e mataram integrantes da mesma família. Crianças foram poupadas

Pouco depois da meia-noite de segunda-feira (8), uma moradora do bairro Formoza, em Alvorada, ouviu uma sequência de estampidos. Os tiros não cessavam. Apavorada, jogou-se no chão com os filhos. Do lado de fora, criminosos haviam invadido um chalé no Beco do Resbalo, no município da Região Metropolitana. Dentro da outra casa, também havia duas crianças, um bebê de um ano e um menino de seis. As crianças foram poupadas. Já a mãe e o namorado dela foram mortos a tiros. Além deles, outro casal da mesma família foi assassinado pelos mesmos atiradores em outra moradia próximo dali.

— Foram mais de 50 tiros. Não parava. A gente entrou em pânico — conta a mulher, ainda apavorada com o crime.

Os criminosos teriam invadido primeiro o chalé onde Sabrina Alves Faller, 24 anos, morava com o namorado, Paulo Sérgio da Silva Ferreira, 38 anos, e os dois filhos. Eles teriam ordenado que ela largasse o bebê, que segurava no colo. O primeiro a ser executado foi Paulo Sérgio. Em seguida, os moradores ouviram os gritos de Sabrina. Ela havia saído correndo, em direção à casa da mãe dela, na mesma rua.

“Mãe, socorro! Mãe!”, gritava a jovem na estrada de chão.

Ao ouvir os apelos da filha, Samara de Lourdes Alves, 41 anos, saiu pela porta da frente da casa de madeira. Antes disso, acendeu as luzes da varanda improvisada — as lâmpadas seguiam acesas na tarde desta segunda-feira. Do outro lado da rua, na areia, era possível ver as marcas de onde Sabrina foi morta. Assim que Samara abriu a moradia, a filha foi assassinada com tiros no rosto na frente da mãe, que seria morta na sequência.

O companheiro de Samara, Leandro Tornes, 35 anos, estava dentro de casa. Ele teria tentado se esconder, mas acabou sendo encontrado pelos atiradores e executado. A bíblia que havia trazido do culto que participou na noite de domingo com a mulher ficou sobre o sofá da sala, onde ele estava sentado pouco antes do crime.

Na mesma casa, havia ainda uma menina de nove anos, filha de Samara. “Cadê a maiorzinha?” gritavam os criminosos, enquanto reviravam a moradia atrás da criança. “Matamos todos!”, gritavam os atiradores quando deixaram a casa.

— A gente chamava e ela não respondia. Pensei que tinham a matado também — relata outra moradora.

Escondida pelo padrasto pouco antes dos assassinos invadirem a casa, a criança sobreviveu. Só deixou a casa onde a família havia sido morta, em prantos, quando a polícia chegou.

— Estava desesperada, pobrezinha. Mataram a mãe, a irmã, o padrasto. Quando a polícia chegou, ela veio correndo e chorando — conta uma vizinha.

As três crianças foram encaminhadas aos cuidados de outros familiares. Na frente da casa onde vivia a menina com a mãe e o padrasto, os brinquedos da criança estão espalhados pelo chão e roupas estendidas no varal.

— É muito triste. As crianças ficaram sem a mãe, sem a avó, que era quem cuidava delas —lamenta uma moradora.

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