Eduardo Leite é eleito governador do Rio Grande do Sul

Às 19h08min, o candidato do PSDB tinha 53,4% dos votos e não poderia mais ser alcançado por José Ivo Sartori (MDB)

O imperativo do eleitor gaúcho de nunca reeleger um governador confirmou-se neste domingo (28) ao escolher Eduardo Leite (PSDB) como futuro líder do Palácio Piratini. Às 19h08min, 97,17% das urnas apuradas garantiram o triunfo político mais importante do currículo do ex-prefeito de Pelotas.

À tarde, ao registrar o seu voto no Instituto Estadual de Educação Assis Brasil, posou para as câmeras. O sinal de positivo feito com a mão exprimia o sentimento de otimismo de sua campanha ao longo do dia.

— Estamos confiantes, mas com os pés no chão — definiu uma interlocutora.

Entre os apoiadores, a vitória era dada com certa, salvo uma maré imprevista que pudesse derrubar a confiança tucana. Pelo Ibope divulgado no sábado (27), Leite consolidara uma larga vantagem em relação ao adversário, José Ivo Sartori (MDB) — 57% contra 43% dos votos válidos. A boca de urna, porém, derrubou um balde de água no clima de segurança. O levantamento colocou os candidatos em empate técnico, e o silêncio absoluto tomou conta da campanha.

— A gente sabe que a pesquisa que vale é a que está sendo feita neste momento, nas seções eleitorais do Rio Grande — contemporizou, ao deixar a seção 131, na zona eleitoral de número 34.

Pela manhã, o candidato cumpriu agenda na Região Metropolitana. Em Esteio, tomou café ao lado de seu candidato a vice, Ranolfo Vieira Júnior (PTB). Na Capital, concedeu entrevista a cinco emissoras de rádio e TV e almoçou galeto em um restaurante próximo ao aeroporto Salgado Filho.

Leite embarcou com a sua equipe em um táxi-aéreo Beech B200GT Super King Air às 13h42min. Na aeronave, colocou fones de ouvido e deu play nas músicas mais recentes ouvidas em sua conta no Spotify para sestear. A primeira a tocar foi Pai Nosso, de Péricles. Ao som de samba, adormeceu.

O turbo-hélice posou em Pelotas às 14h26min. Leite foi o terceiro a desembarcar, usando calça jeans, camisa branca, tênis e óculos de sol. Sob os raios fortes que aqueciam a cidade e levaram os termômetros para a casa dos 25ºC, foi recebido pela sua sucessora na prefeitura, Paula Mascarenhas (PSDB). Como de costume, distribuiu selfies a apoiadores.

 

Leite acompanhou a contagem dos votos ao lado de familiares, amigos e aliados na casa de seus pais, no centro de Pelotas. Assim que chegou ao local — ironicamente, em um carro com placas de Caxias do Sul, terra de seu adversário —, bebeu um copo de cerveja e cantou samba ao lado do irmão Gabriel e do pai, José Luiz Marasco. No repertório, O Show Tem que Continuar. No cardápio, doces pelotenses.

Aos 33 anos completados no último 10 de março, o caçula de três filhos entra para o elenco dos governadores mais jovens do país. Ao longo da campanha, preocupou-se em desassociar juventude de maturidade.

— O nosso Estado tem uma tradição de grandes figuras que ocuparam o governo do Estado jovens: Júlio de Castilhos, aos 31, Borges de Medeiros, aos 34, (Leonel) Brizola, aos 37, Oswaldo Aranha, aos 36. Na faixa dos 30 anos, tivemos grandes governadores. Não quero nem me comparar a eles, mas acho que está claro que o que importa não é a idade, mas a vontade de fazer — defendeu neste domingo.

No primeiro turno, o estreante na disputa ao Palácio Piratini teve 2.143.603 votos, o equivalente a 35,9% do total. Neste domingo, viu o seu escrutínio saltar para mais de 3 milhões de votos, derrubando o temor de seus companheiros. No núcleo da campanha, havia o receio de que a busca de embalo de Sartori na onda conservadora de Jair Bolsonaro (PSL) inflasse a candidatura do atual governador.

Pressionado pelos aliados para declarar apoio ao militar da reserva, Leite resistiu. Encontrou um meio-termo na gravação de um vídeo no qual abria voto ao deputado federal, mas cobrava autocrítica sobre “pensamentos que desrespeitam a democracia e a existência pacífica de outros seres humanos”.

Na reta final da campanha, pessoas próximas a Leite sentiram o seu quase inabalável humor abatido pelos ataques recebidos nas redes sociais. Em uma das imagens, o candidato aparecia em uma foto ao lado de um homem e da seguinte legenda: “É isto o que queremos para o Rio Grande? O primeiro governador homossexual do Brasil?”. Na foto sem cortes, Leite está ao lado dos dois irmãos e da mãe no mar de Punta del Este.

— Uma foto de família vira uma fake news de baixo nível e preconceituosa — rebateu ao desmentir a publicação.

Neste domingo, depois de 74 dias de campanha e com a sua cadeira garantida no principal gabinete do Rio Grande do Sul, Leite pôde, enfim, relaxar:

— Fizemos uma campanha limpa, sem ataques pessoais, embora tenhamos sido duramente atacados de forma desleal e desonesta pelos nossos adversários. Mesmo assim, não desviamos do foco: construir uma política com amor, não com ódio.

fonte: GauchaZH

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